Marcado julgamento de homem acusado de decepar a orelha da mulher em Fortaleza

 

 Marcado julgamento de homem acusado de decepar a orelha da mulher em Fortaleza

Francisco Ricardo Damásio de Oliveira, conhecido como 'Pelé', será julgado pelo ataque brutal que deixou a companheira com 283 pontos na cabeça e sequelas permanentes. Quase um ano após o crime, a data do julgamento foi definida pela 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza para o dia 19 de junho.

Em menos de um mês, o homem de 61 anos será julgado pelo Tribunal do Júri pelos crimes de tentativa de feminicídio e lesão corporal, cometidos contra Elisângela dos Santos Gomes e a mãe dela, Maria de Fátima Queiroz dos Santos, respectivamente.

A sentença de pronúncia, decisão que determina que ele seja julgado pelo Júri Popular, foi proferida ainda em dezembro de 2025, mas a data do julgamento só foi estabelecida e divulgada neste mês de maio.

Em uma das salas do Fórum Clóvis Beviláqua, no bairro Edson Queiroz, as vítimas e o acusado vão se encontrar pela primeira vez desde o dia do crime. Em entrevista ao Diário do Nordeste, Elisângela dos Santos contou que ela e a mãe estarão no julgamento "clamando por Justiça". 

Em nota enviada à reportagem, a defesa do acusado afirmou que "os crimes a ele imputados são inverídicos, tendo em vista que o acusado agiu em legítima defesa. A defesa segue firme e confiante, aguardando o julgamento em que será provada a sua inocência no tribunal do júri".

Após o ataque, a dona de casa perdeu o movimento de um dos braços e, mesmo após meses da lesão, continua sentindo dores diariamente. Ao relembrar a situação, Elisângela diz que o ataque cruel afetou toda a família. 

O caso ocorreu no bairro Lagoa Redonda, em Fortaleza, em julho de 2025. Na ocasião, o homem feriu Elisângela e a mãe dela, enquanto duas crianças, sendo uma delas filha de Elisângela, assistiam à cena de violência extrema. 

No ano em que Elisângela sofreu a tentativa de feminicídio, em 2025, 47 mulheres morreram vítimas desse tipo de violência no Ceará. Essa é a taxa mais alta da série histórica que começou a ser contabilizada em 2018. 

Vítima ficou com sequelas permanentes

Após o ataque, Elisângela foi levada ao Instituto Doutor José Frota (IJF), onde ficou por mais de 32 dias internada. A mulher ficou em coma induzido, teve a orelha reconstruída, mas perdeu o movimento de um dos braços atingidos.

Em entrevista, ela conta que não consegue trabalhar por conta das dores, que também geram um gasto muito alto por conta dos remédios. "Tenho muitas limitações até para cuidar da minha filha", comenta. 

Elisângela é mãe de uma criança autista de oito anos de idade e da jovem Letícia Santos. A vítima do crime pontua que todas as mulheres da família lidam com os impactos da crueldade de Francisco Ricardo Damásio de Oliveira. 

"Mas eu tenho fé em Deus que a gente vai ter vitória e ele vai continuar lá pagando pelo que fez", finaliza a dona de casa, em entrevista ao Diário do Nordeste.

Relembre o caso 

Elisângela e Francisco moravam no mesmo prédio e mantiveram um relacionamento por oito meses. Segundo depoimento de uma testemunha, Francisco já havia sido violento com Elisângela em outra ocasião. 

"Com certeza a minha mãe não foi a primeira que ele agrediu, xingou, torturou psicologicamente", comentou a estudante Letícia Santos.

Após o término do relacionamento, a vítima decidiu, por medo, ficar na casa da mãe por alguns dias. Antes de cometer o crime, Francisco mandou mensagens para familiares de Elisângela, dizendo que ficassem tranquilos, pois "jamais faria mal a ela".

Segundo documentos obtidos pela reportagem, Francisco Ricardo Damásio pulou o muro da casa da mãe de Elisângela, por volta das 16h do dia 21 de julho. 

O homem correu em direção à vítima e a golpeou com uma faca na região da cabeça e dos braços. A mãe de Elisângela tentou segurar o homem quando foi golpeada e empurrada contra a parede.

Durante o atentado, as duas crianças que estavam na residência correram pedindo ajuda. "O vizinho da frente entrou para tentar tirar o Ricardo de cima dela, só que não conseguia, porque ele não queria parar de esfaquear minha mãe", contou a filha mais velha de Elisângela.

O vizinho que intercedeu na cena afirmou em depoimento às autoridades que arrastou Francisco pelo pescoço para o lado de fora da residência e o segurou enquanto os irmãos e cunhados da vítima a socorriam. 

Em depoimento às autoridades, Francisco afirmou que foi até a casa da mãe da ex-namorada para conversarem diante do término do relacionamento. Segundo ele, Elisângela abriu o portão e afirmou que estaria o traindo.

Segundo ele, a mulher então o teria golpeado com uma faca e eles entraram em luta corporal. O réu afirmou estar muito alcoolizado e não lembrar de mais detalhes. 

Enquanto isso, Elisângela, as duas filhas e a mãe, uma idosa de 73 anos que teve as costelas fraturadas no ataque, continuam vivendo em uma realidade de "medo constante". "Diariamente ainda tenho muitos pesadelos", finaliza a dona de casa.

Como denunciar violência contra a mulher

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados às autoridades mediante diversos canais. Em caso de emergência ou para buscar ajuda, utilize os seguintes meios:

  • Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): Serviço nacional que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e é gratuito.
  • Ligue 190 (Polícia Militar): Em situações de flagrante ou emergência.
  • Procure uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM): Para registrar um Boletim de Ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência, amparadas pela Lei Maria da Penha.

DN 

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