Um tronco fóssil foi encontrado no início deste mês de maio por um morador em uma fazenda próxima à BR-116, no município de Jaguaribe (CE).
Após ser deixado no Laboratório de ciências biológicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE), análises iniciais indicaram que se tratava de uma conífera, grupo de plantas que inclui pinheiros e araucárias, comuns durante a era dos dinossauros.
O material fóssil segue analisado por pesquisadores, que investigam a possível espécie e idade do vegetal.
Segundo o professor do curso de Ciências Biológicas do IFCE Felipe Monteiro, o tronco foi deixado no laboratório para análise, mas a equipe não acompanhou o momento da coleta.
Apesar de visitas ao local, não foi possível identificar a camada geológica original de onde o tronco se desprendeu, levantando a hipótese de que ele tenha sido transportado por correntes de água até o ponto onde foi localizado.
Em parceria com pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca), foram realizadas análises microscópicas por meio da confecção de lâminas do material, que revelaram sua possível data de origem. Essa identificação reforça a hipótese de que o fóssil esteja associado a um depósito daquele período geológico.
"Ainda não há registros confirmados desse tipo de depósito na área específica onde o tronco foi encontrado. Estamos procurando e com isso soubemos de novas ocorrências de troncos semelhantes em Morada Nova, Icó e outro municípios do Vale do Jaguaribe", afirma Felipe.
A pesquisa segue em andamento e já resultou em apresentações em eventos científicos, além de integrar o trabalho de conclusão de curso da estudante de Ciências Biológicas Caroline Teixeira.
De acordo com a equipe, o processo de identificação é complexo e pode ser demorado, pois depende da qualidade das amostras e da preparação de novas lâminas para análise detalhada.
O pesquisador ressalta que, embora ainda não seja possível determinar com precisão a idade exata do material, as evidências indicam uma forte relação com formações geológicas semelhantes às das chamadas bacias interiores do Nordeste, como a Bacia do Araripe, conhecidas por abrigar fósseis de organismos de idades próximas.
A expectativa é que estudos futuros confirmem a origem do tronco e contribuam para um melhor entendimento da história geológica e paleontológica do Vale do Jaguaribe.
O Povo


