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| Dadá Guedes com troféu que ganhou na vaquejada antes de ser morto. — Foto: Arquivo pessoal |
O vaqueiro Francisco Eudazio Lira Soares, o Dadá Guedes, de 30 anos, morto a facadas em Quixeramobim, no interior do Ceará, por se recusar a dividir o dinheiro do prêmio de campeão, ganhou mil reais na competição.
Segundo a organização do evento, a disputa que Dadá Guedes concorreu valia R$ 2 mil para o vencedor e um troféu. No entanto, ele ganhou com o outro competidor, ficando mil reais para cada um.
Ainda conforme o organizador, antes de ser morto, o vaqueiro foi a arena com os outros vencedores para receber o troféu da vaquejada. No entanto, deixou o local antes de pegar o dinheiro, que foi recebido pelo patrão para repassá-lo.
Quando retornava para o caminhão para guardar o troféu, antes de descer do cavalo, Dadá foi atacado pelo suspeito que queria que a vítima lhe desse parte do valor, mesmo ele não sendo da equipe que competiu.
Após ser ferido, o campeão de vaquejada caiu do cavalo e derrubou o troféu, que quebrou. O vaqueiro chegou a ser socorrido pelos colegas e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito, que não teve a identidade informada, fugiu em uma motocicleta.
O vaqueiro foi sepultado nesta segunda-feira (8), na zona rural Quixeramobim. A cerimônia foi acompanhada por dezenas de amigos e familiares da vítima, que fizeram um cortejo pela cidade.
Colecionador de prêmios
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| Dadá Guedes colecionava prêmios na vaquejada e era bastante querido no meio. — Foto: Arquivo pessoal |
Segundo a família, ele sempre trabalhou na lida com animais e constantemente era convidado para participar das vaquejadas, seja como esteireiro (vaqueiro que conduz o animal e prepara a queda) ou puxador (responsável por derrubar o boi).
"Tanto ele corria, como esteirava para várias pessoas. Muitas vezes na vaquejada dos amigos ele ia dar uma ajuda ao pessoal do curral", disse a parente de Dadá que terá a identidade preservada.
Da infância humilde, Dadá encontrou na vaquejada sua grande paixão e foi a partir dela que teve a oportunidade de viajar pelo Ceará e outros estados.
"O que ele mais gostava era de vaquejada. Se saía da vaquejada quando chegava em casa ficava assistindo no celular e era nos grupos com os amigos conversando sobre as coisas de vaquejada. Ele sempre foi caseiro, mas a diversão dele era a vaquejada", disse um parente do vaqueiro ao g1.
Agradecimento antes de ser morto
A identidade do criminoso não foi divulgada pela Secretaria da Segurança Pública. Antes de ser assassinado nas dependências do parque de vaquejada, Dadá Guedes agradeceu pelo 1º lugar na categoria Rancho, que ele ganhou com outro competidor.
"Só tenho a agradecer a Deus por tudo que tem feito na minha vida. [...] Não é fácil o cara fazer uma vaquejada dessas. Que Deus me abençoe, que dessa vez foi eu, graças a Deus", disse Dadá Guedes nos agradecimentos.
No discurso, ele ainda lembrou de agradecer ao proprietário do cavalo que ele cavalgou na competição, ao tratador do animal e outros trabalhadores. Antes de encerrar, o vaqueiro ainda brincou que ia esquecendo de agradecer a esposa.
"Ah, agora ia arrumar um problema grande. Esqueci de agradecer minha esposa, que estava aqui e foi embora nesse instante. Ô problema grande", brincou o campeão da vaquejada.
(G1/CE)
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