Maranguape não registrou reações graves à vacina contra dengue suspensa pelo Ministério da Saúde, diz Butantan

 




Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), não registrou casos graves relacionados à vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A informação foi reforçada pelo próprio instituto após a suspensão temporária da aplicação do imunizante pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo os dados divulgados, o município aplicou 24.159 doses da vacina sem registrar ocorrências graves ou mortes associadas à vacinação.

A cidade cearense foi uma das três escolhidas para participar da estratégia nacional de vacinação em larga escala com o imunizante brasileiro contra a dengue. Além de Maranguape, o projeto também envolveu os municípios de Botucatu (SP) e Nova Lima (MG).

De acordo com o Instituto Butantan, nenhuma das três cidades registrou eventos adversos graves relacionados à aplicação da vacina. Em Maranguape, as notificações recebidas pelas autoridades de saúde se limitaram a sintomas considerados leves.

Por que a vacina do Butantan foi suspensa temporariamente

A suspensão da vacina ocorreu após o Ministério da Saúde e a Anvisa decidirem aprofundar a investigação sobre possíveis eventos adversos registrados em outras localidades do país.

Segundo o governo federal, a interrupção tem caráter preventivo e busca garantir segurança durante a análise dos casos. Até o momento, não há confirmação de que os eventos investigados tenham sido causados diretamente pela vacina.

O Instituto Butantan também ressaltou que a medida não representa uma conclusão sobre a segurança do imunizante, mas faz parte dos protocolos de monitoramento adotados em campanhas de vacinação.

O que se sabe sobre os casos graves investigados pelo Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde informou que investiga 42 casos de reações adversas graves registrados entre profissionais da Atenção Primária em Saúde (APS), grupo que vinha recebendo a vacina desde o início deste ano.

Quando a suspensão foi anunciada, aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas em todo o país. Entre os casos analisados estão três ocorrências que apresentaram sinais compatíveis com dengue grave. Dois pacientes morreram durante a investigação.

Segundo as informações divulgadas pelo ministério, os casos envolvem uma mulher de 39 anos que recebeu atendimento médico e teve alta, uma mulher de 48 anos que apresentou comprometimento neurológico e morreu, e um homem de 58 anos que evoluiu para um quadro grave da doença e também não resistiu.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que os profissionais vacinados nos últimos 21 dias passarão por monitoramento para acompanhamento de possíveis reações adversas.

A orientação das autoridades sanitárias é que pessoas que apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência ou sinais de desidratação procurem atendimento médico imediatamente.

Vacina Qdenga segue disponível no Ceará

A suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde afeta apenas a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A Qdenga, outro imunizante contra a dengue utilizado no Brasil, continua sendo aplicada normalmente na rede pública de saúde. Produzida por um laboratório japonês, a vacina permanece disponível para o público definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

No Ceará, a imunização segue voltada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Desde maio, mais de 123 mil doses foram distribuídas aos municípios cearenses para aplicação da primeira e da segunda dose.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou que continuará seguindo as orientações do Ministério da Saúde para garantir a continuidade das ações de prevenção e combate à dengue.

Estudos apontaram alta eficácia da vacina ontra dengue do Butantan

Antes da suspensão preventiva, estudos conduzidos pelo Instituto Butantan apontaram resultados considerados promissores para o imunizante.

As pesquisas indicaram eficácia de 100% na prevenção de internações por dengue, além de redução de 79% no risco de infecção pela doença. Os estudos também identificaram redução de 89% nos casos graves que não necessitaram de hospitalização.

As análises envolveram aproximadamente 16 mil voluntários distribuídos em 14 estados brasileiros e avaliaram a proteção oferecida contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.

Os resultados mostraram eficácia tanto para pessoas que já haviam contraído a doença quanto para aquelas que nunca tiveram contato com o vírus.

Entre os efeitos adversos mais frequentemente observados durante os testes estavam dor e vermelhidão no local da aplicação, além de sintomas como dor de cabeça e fadiga, considerados leves ou moderados.


(GC+)

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