Responsável por petshop onde buldogue morreu diz que veterinária tentou reanimar animal


 


O responsável pela unidade do pet shop Pro Campo onde o buldogue francês Bacon morreu no último sábado (6), em Fortaleza, afirmou, em entrevista ao Diário do Nordeste, na manhã desta segunda-feira (8), que uma médica veterinária tentou reanimar o animal após ele ser encontrado dentro do canil do estabelecimento.

O homem, que não quis se identificar, informou que o cachorro não chegou a passar pelo banho e permaneceu no mesmo canil desde o momento em que foi deixado pelos tutores até o instante em que ocorreu o incidente.

O caso aconteceu em uma unidade localizada na Avenida Padre Antônio Tomás, no bairro Aldeota. O cão havia sido deixado pelos tutores para banho e cuidados de rotina. Após a morte, a família registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) e questionou a versão apresentada pelo estabelecimento.

Segundo o gestor do pet shop, as imagens das câmeras de segurança mostram que Bacon permaneceu sozinho no canil durante todo o período em que esteve no local.

“O que aconteceu lá, a gente puxou as câmeras. O cachorro estava dentro do canil. Quando os meninos viram, tentaram resgatar, chamaram os veterinários, mas não conseguiram dar assistência ou reanimar o animal. A gente mandou o animal para autópsia”, afirmou.

Cão não chegou a tomar banho

De acordo com o responsável pela unidade, o buldogue francês ainda aguardava atendimento quando foi encontrado pelos funcionários.“O cachorro não estava sendo atendido no momento, ele estava no canil”, declarou.

O responsável pela pet shop afirmou que a análise preliminar das imagens indica que Bacon permaneceu no mesmo compartimento desde a chegada ao pet shop. “Pelas imagens que a gente viu, ele ficou no canil desde a hora que chegou até o ocorrido. Ele não chegou a tomar banho”, disse.

Segundo ele, o departamento jurídico da empresa está analisando todas as gravações e deverá encaminhá-las às autoridades responsáveis pela investigação. “São quatro horas de gravação. Eu não assisti por completo. Peguei mais o finalzinho. O jurídico está analisando as câmeras e vai levar para a delegacia”, afirmou.

Resultado da necropsia é aguardado

O responsável pelo pet shop ressaltou que ainda não é possível afirmar a causa da morte do animal e que a empresa aguarda o resultado da necropsia.

“A gente está esperando o resultado. Não tem o resultado ainda para dizer qual foi a causa da morte. Era um cachorro idoso, com problemas respiratórios, que estava até em tratamento”, declarou.

O gestor disse que prefere aguardar a conclusão do exame antes de atribuir a morte a uma causa específica.

“Eu não sei exatamente o que aconteceu de fato. Então, a gente está esperando a autópsia. Não posso dizer que ele morreu asfixiado ou do coração. Pode ter sido por outros motivos”, afirmou.

Segundo ele, quando os funcionários localizaram o animal, ele estava posicionado próximo à bandeja do canil. “Quando os funcionários encontraram o cachorro, ele estava para dentro da bandeja. Então eu não posso garantir que foi asfixia. Quem vai dizer isso é o laudo”, explicou.

'Foi uma fatalidade', afirma responsável

Durante a entrevista, o responsável pela pet shop negou que tenha ocorrido maus-tratos e afirmou que os funcionários agiram imediatamente após perceberem a situação.

“Levaram até um hospital veterinário junto à loja e tentaram reanimá-lo. Foi uma fatalidade mesmo. Não foi maus-tratos, graças a Deus”, declarou.

O responável pelo estabelecimento afirmou ainda que a estrutura utilizada para acomodar os animais foi inspecionada após o ocorrido. “A gente fez a análise do canil todo. O canil está todo OK, não tem um parafuso solto. Foi realmente uma fatalidade”, disse.

Conforme o responsável pela pet shop, o equipamento é de uma marca reconhecida internacionalmente e considerada referência no segmento pet. “É a melhor marca que tem. Se hoje você tivesse R$ 10 milhões para montar um pet shop, montaria com aquele canil. É um canil novo e da melhor qualidade”, afirmou.

Empresa diz que tentará diálogo com tutores

O gestor do estabelecimento afirmou que a empresa pretendia conversar com os tutores após o ocorrido, mas que o momento de forte abalo emocional dificultou o diálogo.

“A gente queria conversar com o cliente, só que ele estava tão alterado que não deu nem para conversar. E eu entendo ele. Eu tenho um cachorro também. É complicado. Não sei o que eu faria se fosse comigo”, declarou.

A morte de Bacon é investigada pelas autoridades. O corpo do animal foi encaminhado para necropsia, exame que deverá apontar a causa da morte e ajudar a esclarecer as circunstâncias do caso.

Os tutores questionam a versão apresentada pelo estabelecimento, cobram acesso às imagens de segurança e pedem esclarecimentos sobre o monitoramento dos animais enquanto permanecem nas dependências do pet shop.

A Polícia Civil deverá analisar os depoimentos, as imagens do circuito interno de segurança e o resultado da necropsia para determinar se houve negligência ou qualquer irregularidade relacionada ao caso.

Veja nota na íntegra de Pet Shop:

"O Escritório Coelho & Lacerda Assessoria Jurídica, na qualidade de representante legal da Pro Campo, vem a público prestar esclarecimentos acerca do lamentável falecimento de um animal ocorrido recentemente nas dependências da empresa.

Inicialmente, a Pro Campo manifesta seus mais sinceros sentimentos aos tutores pela perda sofrida, reconhecendo a relevância dos animais de estimação como integrantes das famílias brasileiras e lamentando profundamente o ocorrido.

Desde a ciência dos fatos, a empresa adotou todas as providências cabíveis para a preservação das informações pertinentes ao caso, colocando-se integralmente à disposição das autoridades competentes e dos profissionais responsáveis pela apuração técnica dos acontecimentos.

A Pro Campo esclarece que, até o presente momento, não existe qualquer elemento técnico, laudo pericial, parecer veterinário conclusivo ou outro dado objetivo que indique a ocorrência de negligência, imprudência, imperícia, maus-tratos ou descumprimento de protocolos por parte da empresa ou de seus colaboradores.

As causas do óbito ainda estão sendo objeto de investigação e análise técnica especializada, razão pela qual qualquer conclusão antecipada acerca da dinâmica dos fatos ou de eventual atribuição de responsabilidade constituiria mera especulação, incompatível com a seriedade e o rigor que o caso exige.

Importa destacar que o animal envolvido pertencia a uma raça que, segundo a literatura médico-veterinária amplamente reconhecida, apresenta predisposição a intercorrências respiratórias e outras complicações clínicas específicas, circunstância que naturalmente deverá integrar o conjunto de fatores a serem analisados pelos profissionais encarregados da apuração.

A Pro Campo atua há anos no segmento de cuidados e serviços voltados ao bem-estar animal, construindo sua reputação com base em princípios de responsabilidade, ética, respeito aos animais e observância das boas práticas recomendadas para o setor. Durante toda a sua trajetória empresarial, este é o primeiro registro de ocorrência dessa natureza, circunstância que demonstra o histórico de comprometimento da empresa com a segurança e o adequado tratamento dos animais sob seus cuidados.

A empresa reafirma que repudia qualquer forma de maus-tratos ou conduta que coloque em risco a integridade física dos animais, valores que sempre nortearam sua atuação e que permanecem inalterados.

A Pro Campo seguirá colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos eventualmente solicitados, com o objetivo de assegurar total transparência e contribuir para o completo esclarecimento dos fatos.

Por fim, a empresa permanece aberta ao diálogo e à prestação de esclarecimentos e auxílio aos tutores do animal, caso assim entendam pertinente, reafirmando seu compromisso com a ética, a responsabilidade e o respeito ao bem-estar animal".


(Diário do Nordeste)

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