Suspeito de matar campeão de vaquejada segue foragido há uma semana

Sasom Boiadeiro, à esquerda, é o suspeito de matar Dadá Guedes, à direita — Foto: Reprodução
Sasom Boiadeiro, à esquerda, é o suspeito de matar Dadá Guedes, à direita — Foto: Reprodução
 



A polícia do Ceará procura há mais de uma semana por Darlei Teixeira Vitor, também conhecido como 'Sasom Boiadeiro', de 55 anos, suspeito de matar o vaqueiro Francisco Eudazio Lira Soares, o 'Dadá Guedes', 30. O crime aconteceu na noite de 7 de junho deste ano e o mandado de prisão contra o suspeito foi expedido pela Justiça Estadual no dia 9

No fim de semana, familiares e amigos de Dadá se reuniram para pedir justiça e a prisão do foragido. A manifestação ocorreu próximo à Igreja Martriz da cidade.

O suspeito 'Sasom Boiadeiro' competiu na vaquejada um dia antes do crime, mas não se classificou para a etapa final disputada no dia 7 de junho (domingo). Ele é conhecido no meio também por transportar bois.

Conforme a organização do evento, antes de ser morto, Dadá foi à arena com os outros vencedores para receber o troféu da vaquejada. No entanto, deixou o local antes de pegar o dinheiro, que foi recebido pelo patrão para repassá-lo.


Homicídio

Segundo a organização do evento, a disputa que Dadá Guedes concorreu valia R$ 2 mil para o vencedor e um troféu. No entanto, ele ganhou com o outro competidor - ficando R$ 1 mil para cada.

Quando retornava para o caminhão para guardar o troféu, antes de descer do cavalo, Dadá foi atacado pelo suspeito que queria que a vítima lhe desse parte do valor, mesmo ele não sendo da equipe que competiu.

Após ser ferido, o campeão de vaquejada caiu do cavalo e derrubou o troféu, que quebrou. O vaqueiro chegou a ser socorrido pelos colegas e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito fugiu em uma motocicleta.

Dadá Guedes com troféu que ganhou na vaquejada antes de ser morto. — Foto: Arquivo pessoal



Colecionador de prêmios


Segundo a família, ele sempre trabalhou na lida com animais e constantemente era convidado para participar das vaquejadas, seja como esteireiro (vaqueiro que conduz o animal e prepara a queda) ou puxador (responsável por derrubar o boi).

"Tanto ele corria, como esteirava para várias pessoas. Muitas vezes na vaquejada dos amigos ele ia dar uma ajuda ao pessoal do curral", disse a parente de Dadá que terá a identidade preservada.

Da infância humilde, Dadá encontrou na vaquejada sua grande paixão e foi a partir dela que teve a oportunidade de viajar pelo Ceará e outros estados.

"O que ele mais gostava era de vaquejada. Se saía da vaquejada, quando chegava em casa ficava assistindo no celular, e era nos grupos com os amigos conversando sobre as coisas de vaquejada. Ele sempre foi caseiro, mas a diversão dele era a vaquejada", disse um parente do vaqueiro ao g1.

Agradecimento antes de ser morto


A identidade do criminoso não foi divulgada pela Secretaria da Segurança Pública. Antes de ser assassinado nas dependências do parque de vaquejada, Dadá Guedes agradeceu pelo 1º lugar na categoria Rancho, que ele ganhou com outro competidor.

"Só tenho a agradecer a Deus por tudo que tem feito na minha vida. [...] Não é fácil o cara fazer uma vaquejada dessas. Que Deus me abençoe, que dessa vez foi eu, graças a Deus", disse Dadá Guedes nos agradecimentos.

No discurso, ele ainda lembrou de agradecer ao proprietário do cavalo que ele cavalgou na competição, ao tratador do animal e outros trabalhadores. Antes de encerrar, o vaqueiro ainda brincou que ia esquecendo de agradecer a esposa.

"Ah, agora ia arrumar um problema grande. Esqueci de agradecer minha esposa, que estava aqui e foi embora nesse instante. Ô problema grande", brincou o campeão da vaquejada.

Francisco Eudazio Lira Soares, o Dadá Guedes, de 30 anos, foi morto a facadas após ser campeão de vaquejada em Quixeramobim. — Foto: Arquivo pessoal

A confusão cessou, e Dadá Guedes saiu para buscar o troféu. Quando estava retornando, antes de descer do cavalo, o vaqueiro foi atingido por uma facada na virilha e outra no ombro.

Dadá Guedes foi socorrido e levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito do crime fugiu do local em uma motocicleta.

Parque de vaquejada se manifestou


A organização da vaquejada do Parque Custódio Rancho divulgou uma nota de pesar lamentando a morte do vaqueiro. O local foi inaugurado neste fim de semana.

"Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares e amigos da vítima, rogando a Deus que conceda conforto e força para enfrentar essa irreparável perda. [...] Recebemos a notícia com grande tristeza e reforçamos nossos sentimentos de respeito e solidariedade à família e a todos que sofrem com essa perda", disse a nota de pesar.

Ainda conforme a organização do parque de vaquejada, o crime aconteceu após o encerramento das atividades oficiais do evento .

"Ressaltamos que, durante toda a realização do evento, foram adotadas medidas de segurança, contando com equipe de segurança privada e estrutura voltada à proteção dos participantes e do público presente", afirmou a organização do evento. 


(G1/CE)

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