Acidente com idosa no VLT reforça alerta para travessias seguras em Fortaleza





 O atropelamento de uma idosa por VLT em Fortaleza, registrado nesta quarta-feira (23), voltou a chamar atenção para os riscos nas passagens de nível da capital cearense. A vítima, Maria Adélia Faustino, de 80 anos, sofreu fraturas nas duas pernas após ser atingida por um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ao tentar atravessar a linha férrea no bairro São João do Tauape. Ela permanece internada em estado grave no Instituto Doutor José Frota (IJF). O caso reacendeu discussões sobre a necessidade de respeito à sinalização e também sobre possíveis melhorias na infraestrutura de segurança das travessias.

Embora as passagens de nível sejam equipadas com placas de advertência e sinalização sonora, especialistas alertam que boa parte dos acidentes ocorre por falhas humanas durante a travessia. A recomendação é simples, mas considerada fundamental: parar, olhar e escutar antes de cruzar a linha férrea.

Segundo o instrutor de direção veicular Tenente Almeida Filho, alguns hábitos aumentam significativamente o risco de acidentes.

"No momento da travessia, é importante evitar falar ao telefone e utilizar fones de ouvido. Sempre devemos seguir a regulamentação das placas de sinalização, que orientam parar, olhar e escutar. São medidas simples que podem evitar consequências muito mais graves."

Passagens de nível exigem atenção constante

Ao longo das linhas do VLT que cortam Fortaleza e municípios da Região Metropolitana, placas com a orientação "Pare, olhe e escute" estão distribuídas nas passagens de nível para alertar pedestres e motoristas sobre a aproximação dos trens.

Mesmo assim, situações de risco continuam sendo registradas.

De acordo com especialistas em segurança ferroviária, um dos erros mais frequentes acontece quando pessoas acreditam que ainda conseguem atravessar antes da passagem do trem, mesmo após o acionamento da sinalização sonora ou o início do fechamento da cancela.

O Tenente Almeida Filho explica que essa interpretação pode ser fatal.

"Um erro comum é pensar que, quando a cancela começa a baixar ou o sinal sonoro é acionado, ainda existe tempo para atravessar. É justamente aí que mora o perigo."

Além do comportamento dos pedestres, a operação ferroviária também adota procedimentos para reduzir riscos.

Maquinistas reduzem velocidade e utilizam buzina nas travessias

Segundo o gerente de segurança operacional Plínio Araújo, os condutores dos VLTs recebem orientação para diminuir a velocidade e utilizar a buzina sempre que se aproximam de passagens de pedestres e veículos.

"Os maquinistas devem reduzir a velocidade ao passar pelas passagens de nível e buzinar bastante para que veículos e pedestres identifiquem a aproximação do trem. Além disso, essa redução faz com que, caso ocorra algum impacto, as consequências possam ser menores."

Apesar desses protocolos operacionais, o sistema depende também da atenção de quem utiliza as travessias diariamente.

Moradores defendem reforço na segurança

Quem vive próximo às linhas férreas afirma que os acidentes provocam preocupação constante.

A dona de casa Maria de Lourdes acredita que o aviso sonoro poderia ser emitido com maior antecedência.

"Eu acho que quando ele apita já está muito perto. Um dia eu estava andando com a minha neta e, quando olhei, o trem já estava chegando. Ela ainda estava no meio da travessia. Eu corri. Acho muito perigoso. Era para ter uma segurança melhor."

O aposentado Josimar Dantas também considera que ainda há espaço para ampliar as ações preventivas voltadas à população.

"Quem mora aqui observa isso o tempo todo. Já houve outros casos, inclusive divulgados pela imprensa. Seria importante fazer um trabalho mais criterioso e oferecer mais segurança aos moradores e aos transeuntes de forma geral."

Acidente reforça necessidade de prevenção

O atropelamento da idosa evidencia que a segurança nas passagens de nível depende de um conjunto de fatores: infraestrutura adequada, sinalização eficiente, procedimentos operacionais e comportamento seguro por parte de pedestres e motoristas.

Especialistas reforçam que atitudes simples, como interromper o uso do celular, retirar os fones de ouvido e nunca tentar atravessar após o acionamento da sinalização, podem evitar acidentes graves.

Enquanto Maria Adélia segue internada em estado grave, o episódio serve de alerta para quem circula diariamente pelas áreas cortadas pelos trilhos do VLT em Fortaleza. O respeito às normas de segurança continua sendo a principal forma de prevenir novas ocorrências, ao mesmo tempo em que moradores cobram melhorias que aumentem a proteção nas travessias mais movimentadas da cidade.



(GC+)

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