Golpistas fingem ser defensores públicos para pedir pix, alerta Defensoria

 

(Foto de apoio ilustrativo). Defensoria Pública do Ceará alerta a população sobre a atuação de golpistas que se passam por defensores públicos 

O coordenador dos defensores públicos de Fortaleza, Manfredo Rommel, diz que o aumento de golpes virtuais direcionados a cidadãos, que buscam assistência jurídica gratuita na Capital, faz a Defensoria emitir alertas e divulgar campanhas informativas sobre o esquema criminoso. 

"Ultimamente os golpes tem se intensificado e nos preocupado bastante porque muitos deles têm logrado êxito, porque enquanto fica na base da tentativa, a gente fica feliz quando o o nosso assistido não cai no golpe, nos alerta e a gente toma as providências", explica. 

Criminosos monitoram processos judiciais para obter contatos de pessoas vulneráveis e solicitam pagamentos indevidos, prometendo falsamente a liberação de valores de causas ganhas.

"A Defensoria presta assistência jurídica integral e gratuita para pessoas que não têm condição financeira para pagar um advogado. Algumas pessoas mal tem condição de pagar o próprio transporte para vir nos procurar. Então, a gente se compadece muito dessa situação, da situação financeira dos nossos assistidos", acrescenta. 

Golpes estão mais "sofisticados"

Segundo o coordenador, os golpes contra os assistidos da Defensoria estão sendo cada vez mais "sofisticados", tornando-os mais convincentes e difíceis de identificar. 

Manfredo suspeita que os golpistas utilizem robôs para monitorar o sistema de processo eletrônico do Poder Judiciário em tempo real. Isso permite que eles identifiquem novas ações judiciais assim que são protocoladas. 

"Imagine, acabei de atender uma pessoa e dei entrada na ação judicial cabível para defender os direitos dela. Com pouco tempo, uma hora, meia hora depois, o golpista, já entra em contato. É coisa muito rápida. Deve ter robô trabalhando para passar para os golpistas os números de processos", afirma Manfredo.

Conforme Manfredo, o contato imediado de apenas 30 minutos ou uma hora após a abertura do processo confere uma falsa credibilidade à abordagem. 

Além disso, os golpistas utilizam elementos visuais oficiais, como brasões da instituição e padrões de mensagens reais, obtidos na internet, para que as comunicações via aplicativo pareçam legítimas. 

Vítimas têm dificuldade em distinguir golpe

Como a Defensoria Pública utiliza rotineiramente o WhatsApp para agilizar o envio de documentos e a comunicação processual (como intimações e citações eletrônicas), as vítimas têm dificuldade em distinguir o contato real do golpe. 

As vítimas costumam ser pessoas em vulnerabilidade socioeconômica que buscam assistência jurídica gratuita por não terem condições financeiras. A consumação desses golpes levou a prejuízos financeiros que variam entre R$ 6 mil, R$ 10 mil e até R$ 16 mil. 

"Temos relatos de pessoas que fizeram empréstimos. Veja, só a gravidade desse problema. Uma pessoa que faz um empréstimo, num valor alto de R$ 5 mil, R$ 10 mil, que vai passar muitos anos pagando isso para nada e jogar esse dinheiro todo no lixo, isso é muito desesperador da nossa parte", comenta. 

Manfredo reforça que o serviço prestado pela Defensoria é integralmente gratuito e qualquer solicitação de dinheiro ou depósito — mesmo sob o pretexto de liberar valores de processos — é um golpe, e o assistido jamais deve recorrer a empréstimos para esses fins. 

Em conformidade com a Constituição Federal, todos os serviços da instituição são totalmente gratuitos durante todas as etapas do acompanhamento processual destinados exclusivamente às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Na prática, os criminosos pedem “uma taxa” e tentam enganar as pessoas proferindo o número de processos e sentenças.

A Defensoria também identificou o tipo de golpe que pede o envio de fotos da pessoa segurando documentos pessoais. No esquema golpista, isso facilitaria a abertura de conta bancária e transferência de indenizações.

Vítimas devem registrar ocorrência

As vítimas desses golpes devem registrar a ocorrência rapidamente na delegacia mais próxima, conforme orienta a Defensoria.

Para evitar cair em golpes, as pessoas devem sempre utilizar os canais oficiais da Defensoria e comparecer pessoalmente nas sedes de atendimento, buscar a vara onde tramita o processo e desconfiar de qualquer taxa de pagamento.

Como medida preventiva, a Defensoria orienta que os assistidos busquem atendimento presencial para confirmar qualquer mensagem suspeita recebida por aplicativos.

Além disso, o órgão colabora com a Polícia Civil para monitorar e investigar essas atividades fraudulentas que geram grandes prejuízos financeiros.

"Todas as ocorrências que tomamos conhecimento, nós repassamos para a Polícia Civil, mas infelizmente até o momento eu não tenho conhecimento de nenhuma efetividade disso, de alguma prisão que tenha sido realizada ou de alguma autoria que tenha sido esclarecida", relata. 

Ele explica que enquanto os responsáveis não forem identificados, não há outra alternativa a não ser aguardar as investigações para tentar um possível ressarcimento dos prejuízos financeiros no futuro. 

O Povo 

Postagens mais visitadas do mês