Metrôs de Fortaleza passam a ter vagões exclusivos para mulheres

 

 Metrô de Fortaleza passa a ter vagões exclusivos para mulheres

A partir desta sexta-feira, dia 3 de julho, todos os metrôs de Fortaleza e da Região Metropolitana que circulam na Linha Sul terão dois vagões exclusivos para mulheres, sem restrição de dias e horários, funcionando de segunda a sábado. Medida é proporcionar um ambiente mais seguro e confortável para as mulheres, sejam elas cis ou transgênero, além de fazer parte das ações de combate à importunação sexual em transportes públicos.

De acordo com a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), a novidade é anunciada por alto-falantes nas estações de maneira contínua e equipes operacionais estão orientando os passageiros para a correta ocupação dos vagões. Posteriormente, eles atuarão na fiscalização, visando o cumprimento da diretriz.

A estudante Clara Ellen Marques, de 20 anos, compartilha sua satisfação com a implantação dos novos vagões, mas ressalta que os metrôs da Cidade ainda possuem um longo caminho de melhorias para percorrer.

“É um sistema precário, principalmente por não abarcar todos que precisam, o que acaba gerando lotação. A expectativa é que as pessoas respeitem os vagões. Hoje estão orientando os passageiros, então está funcionando, mas precisamos ver se vai continuar assim sem uma fiscalização”, pontua.

Em uma situação de lotação, ela relata o sentimento de impotência, por várias vezes precisar estar muito próxima aos passageiros homens.

“Sendo mulher, ter um homem desconhecido ali, muito perto de você, invadindo seu espaço pessoal, é uma coisa no mínimo desconfortável”, acrescenta. “Só de ser uma mulher (ao lado), que você tem mais confiança de que não vai tentar nada, já é muito melhor. Porque se não conseguimos educar os homens para não assediarem, precisamos nos proteger da maneira que for possível”, conclui.

Para combater ocorrências de assédio nos transportes coletivos, Metrofor implementou ações como o serviço de denúncias da plataforma SuperNina, que recentemente ampliou seus serviços para a Região Metropolitana de Fortaleza.

O canal digital foi desenvolvido para rastrear denúncias de assédio e violência contra mulheres nos VLTs e metrôs, facilitando a documentação dos casos. Em 2025, a ferramenta registrou 170 denúncias, das quais 130 foram de mulheres com idades entre 15 e 49 anos. 

Os vagões femininos já são realidade em outras capitais do Brasil, como Rio de Janeiro, que é pioneiro nesse aspecto, Belo Horizonte (MG), Recife (PE) e Brasília (DF).

Projeto de Lei (PL) que deu origem à obrigatoriedade da destinação do vagão a mulheres foi de autoria do deputado estadual De Assis Diniz (PT), apresentado na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) em março deste ano. 

O Povo 

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