Ciro comenta mortes de casal de ambulantes no Ceará e critica atual gestão: “A impunidade é o prêmio”

 




O candidato ao Governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) citou, neste domingo (30), as mortes recentes de um casal de comerciantes em Fortaleza e de um fotógrafo em Sobral ao criticar a segurança pública no Estado. Durante um ato de campanha na capital cearense, ele afirmou que mais de 10 mil cearenses foram assassinados nos últimos quatro anos e criticou o índice de esclarecimento dos crimes.

“10 mil cearenses foram assassinados. Só 27 de cada 100 são esclarecidos. Ou seja, no Ceará, o crime compensa. A impunidade é o prêmio”, afirmou.

A declaração ocorreu após jornalistas perguntarem ao candidato sobre os casos recentes de violência envolvendo trabalhadores.

Em Fortaleza, um casal que trabalhava com a venda de lanches foi morto enquanto trabalhava. Em Sobral, um fotógrafo esportivo foi assassinado a tiros próximo de casa.

Ciro utilizou os episódios como ponto de partida para apresentar propostas para a segurança pública e voltou a responsabilizar a atual gestão estadual pelo cenário que descreveu.

Segundo o candidato, o enfrentamento às organizações criminosas precisa passar por uma reformulação dos serviços de inteligência e por uma atuação mais direcionada contra as estruturas de comando das facções.

Ciro propõe inteligência comunitária contra facções

Uma das principais propostas apresentadas por Ciro é a criação de uma estrutura de inteligência comunitária.

O candidato afirmou que moradores, lideranças comunitárias e vereadores teriam informações sobre a atuação das facções, mas evitariam repassá-las às autoridades por medo de represálias.

“A primeira camada é a inteligência comunitária”, declarou.

Na proposta, essas informações não seriam utilizadas diretamente para determinar culpa ou produzir provas. O objetivo seria fornecer pistas para os órgãos especializados, que fariam o trabalho de investigação.

“Essa base de informação não tem a responsabilidade de formar culpa de ninguém, nem de produzir prova, nada. Só indicar a pista”, explicou.

Para Ciro, a proteção de vítimas e testemunhas seria fundamental para que esse sistema funcionasse.

A ideia é criar um canal seguro para que pessoas que conheçam a atuação de grupos criminosos possam fornecer informações sem se expor diretamente.

Ciro promete mil novos agentes de inteligência

A segunda etapa do plano envolve a formação de uma equipe especializada.

Ciro afirmou que pretende contratar mil novos agentes de inteligência caso seja eleito governador.

O candidato também defendeu que esses profissionais recebam treinamento em instituições especializadas no exterior. Segundo ele, já existem conversas com representantes estrangeiros para avaliar o envio de profissionais cearenses para capacitação fora do país ou a vinda de instrutores internacionais ao Ceará.

“Já estou conversando com signatários estrangeiros, embaixadores, ou para levar os chefes nossos aqui para treinar no estrangeiro ou trazer instrutores do estrangeiro”, disse.

Segundo Ciro, o objetivo é equipar o Estado com ferramentas consideradas mais avançadas de segurança pública.

A partir das informações obtidas pela inteligência comunitária e do trabalho dos agentes especializados, o candidato defendeu ações direcionadas contra as estruturas de comando das organizações criminosas.

“A partir daí, com comandos específicos, cirúrgicos, nós vamos retirar essa cadeia de comando de circulação”, afirmou.

Ciro critica modelo de segurança do governo Elmano

As propostas foram acompanhadas de críticas ao governo do governador Elmano de Freitas (PT).

Ciro afirmou que o atual governo não teria conseguido impedir o avanço das facções e associou o cenário de violência à falta de esclarecimento dos homicídios.

O candidato apresentou o número de mais de 10 mil assassinatos durante os últimos quatro anos e afirmou que apenas 27% dos casos são esclarecidos.

A partir desse dado, fez a avaliação de que a impunidade favorece a criminalidade.

A declaração “A impunidade é o prêmio” foi usada por Ciro para resumir sua crítica ao funcionamento da segurança pública no Estado.

O candidato também afirmou que a estrutura policial estaria desmotivada e desorganizada e fez acusações sobre suposta infiltração de integrantes de facções nas forças de segurança.

Essas afirmações são declarações e acusações feitas por Ciro durante o ato. No material disponibilizado para a reportagem, não foram apresentados documentos que comprovem todas as alegações.

Ciro questiona gastos com viaturas e tornozeleiras

Durante o discurso, Ciro também criticou gastos do governo estadual relacionados à segurança pública.

O candidato questionou o aluguel de viaturas e mencionou um valor de R$ 1 bilhão.

Ele também citou uma contratação de R$ 48 milhões envolvendo tornozeleiras eletrônicas e questionou a realização de procedimentos sem concorrência.

Ciro associou os contratos a acusações de corrupção e afirmou que haveria irregularidades na administração pública estadual.

As acusações foram feitas pelo candidato durante a agenda e, no conteúdo fornecido, não foram acompanhadas de documentação ou confirmação independente. Por isso, devem ser apresentadas jornalisticamente como alegações de Ciro.

Ciro revê posição sobre câmeras corporais

Outro assunto abordado durante a agenda foi o uso de câmeras corporais nas fardas dos policiais.

Ciro havia declarado anteriormente ser contrário à utilização dos equipamentos. Neste domingo, entretanto, afirmou que a resposta dada naquela ocasião foi precipitada.

“Quando você me perguntou, eu me apressei, dei uma resposta pouco reflexiva”, declarou.

Segundo o candidato, sua equipe o chamou a atenção após a declaração e o tema passou a ser reavaliado.

“Então, refraseando, estamos em estudo a questão das câmeras”, afirmou.

Ciro não anunciou uma mudança definitiva de posição. A adoção das câmeras, segundo ele, continua em análise.

Ao justificar a revisão, o candidato voltou a criticar a estrutura da segurança pública e afirmou que considera necessário recuperar a motivação, a hierarquia e a disciplina das forças policiais.

Ciro também critica grupo político de Elmano

A entrevista também abriu espaço para críticas à aliança política que atualmente governa o Ceará.

Ciro questionou a atuação de Elmano e do senador Camilo Santana (PT) e defendeu a composição política construída para sua candidatura.

Segundo ele, alianças são formadas em torno de projetos e o grupo que o apoia pretende apresentar uma alternativa para o futuro político e econômico do Estado.

O candidato também fez uma prestação de contas de administrações anteriores das quais participou.

Entre os projetos citados estão o Porto do Pecém, o Castanhão, obras de saneamento de Fortaleza, a Transnordestina e a implantação do Programa Saúde da Família.

Ciro afirmou que sua aliança possui histórico de atuação no Ceará e que pretende utilizar essa experiência para apresentar um novo projeto para o Estado.

Durante a mesma fala, fez novas acusações de irregularidades envolvendo obras públicas e contratos estaduais, incluindo críticas à execução do Anel Viário de Fortaleza.

As acusações também são atribuídas ao candidato e não devem ser apresentadas como fatos comprovados sem documentação ou confirmação independente.

Segurança pública ganha espaço na campanha

As declarações de Ciro neste domingo colocaram a segurança pública novamente no centro da disputa pelo Governo do Ceará.

Os assassinatos recentes de um casal de comerciantes em Fortaleza e de um fotógrafo em Sobral serviram de ponto de partida para uma crítica mais ampla à atual política de segurança e para a apresentação das propostas do candidato.

O plano defendido por Ciro combina inteligência comunitária, proteção de vítimas e testemunhas, contratação de mil agentes especializados e capacitação internacional.

A estratégia também prevê ações direcionadas contra as cadeias de comando das facções criminosas.

Ao mesmo tempo, Ciro voltou atrás em relação à posição apresentada anteriormente sobre câmeras corporais e afirmou que o tema está sendo estudado.

O candidato ainda utilizou números de homicídios e de esclarecimento de crimes para sustentar sua crítica ao atual governo.

A frase “A impunidade é o prêmio” sintetizou o argumento apresentado por Ciro: na avaliação dele, a baixa taxa de esclarecimento dos assassinatos contribui para um ambiente favorável à atuação criminosa.

A segurança pública deve continuar entre os principais temas da campanha eleitoral no Ceará, especialmente diante da atuação de organizações criminosas e dos recentes casos de violência contra trabalhadores.



(GC+)

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