
Mais de 134 hectares de áreas com desmatamento ilegal foram embargados no Ceará durante a Operação Mata Atlântica em Pé 2026.
A ação fiscalizou 35 áreas em 14 municípios do Estado, aplicou R$ 508 mil
em multas e expediu 23 autos de infração. As fiscalizações ocorreram
entre os dias 17 e 27 de agosto e fazem parte de uma mobilização
nacional voltada à proteção do bioma.
Fiscalização alcançou 14 municípios
A operação no Ceará foi coordenada pelo Ministério Público do Estado (MPCE), por meio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema), em conjunto com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA).
A fiscalização percorreu o Litoral Oeste, Baixo Acaraú, Maciço de Baturité e Serra da Ibiapaba. Confira os municípios autuados:
- Acaraú
- Amontada
- Baturité
- Bela Cruz
- Cruz
- Guaraciaba do Norte
- Ipu
- Itapipoca
- Itarema
- Mulungu
- Paracuru
- Paraipaba
- São Gonçalo do Amarante
- Trairi
O trabalho teve como ponto de partida 30 alertas de desmatamento identificados por sistemas de monitoramento remoto, entre eles o MapBiomas Alerta.
A partir dessas informações, os órgãos realizaram análises à distância e
verificações presenciais para confirmar a existência das
irregularidades.
Ao todo, foram emitidos 26 termos de embargo.
A medida impede a continuidade das atividades na área identificada até
que sejam adotadas as providências previstas pela legislação ambiental.
Tecnologia orienta ações em campo
O uso de ferramentas de monitoramento geoespacial
é uma das estratégias adotadas para direcionar a fiscalização. Os
alertas indicam locais com possíveis alterações na cobertura vegetal e
permitem que as equipes selecionem as áreas que precisam ser
verificadas.
Depois da identificação remota, os agentes podem realizar inspeções presenciais, com auxílio de equipamentos como drones
e ferramentas de georreferenciamento. A combinação dos recursos
tecnológicos com a fiscalização em campo permite confirmar os danos e
delimitar com maior precisão as áreas atingidas.
Para
o promotor de Justiça Marcus Amorim, coordenador do Gaema, a integração
entre diferentes instituições é fundamental para ampliar a capacidade
de resposta aos crimes ambientais.
“O
Ministério Público vem atuando como grande articulador entre os órgãos
ambientais e policiais para otimizar a fiscalização e repressão a
ilícitos ambientais.”
Segundo o promotor, a utilização
de tecnologia geoespacial também tem contribuído para o acompanhamento
do desmatamento no bioma. No Ceará, a atenção se concentra nos chamados enclaves de Mata Atlântica existentes no território estadual.
Operação ocorre em 17 estados
A
Operação Mata Atlântica em Pé foi realizada simultaneamente em 17
estados brasileiros abrangidos pelo bioma. Além do Ceará, participaram
Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte,
Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São
Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.
A mobilização nacional é coordenada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.
A
estratégia reúne órgãos ambientais, forças policiais e unidades do
Ministério Público para identificar áreas desmatadas, confirmar as
ocorrências e adotar medidas de responsabilização e recuperação
ambiental.
Desmatamento da Mata Atlântica registra queda
Apesar da pressão sobre áreas remanescentes, dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, apontam redução do desmatamento no bioma.
Em 2025, a área desmatada caiu 40% em relação ao período anterior. Na comparação com 2020-2021, a redução chegou a 60%, segundo o levantamento. O resultado representa a menor taxa de desmatamento registrada em quatro décadas de monitoramento.
No Ceará, segundo os órgãos que participam, a operação busca contribuir para a proteção dos trechos de Mata Atlântica presentes no Estado, utilizando o monitoramento por satélite como ferramenta para identificar alterações e direcionar a fiscalização.
O Povo


