Baú do Jogada #10 - Rap do Clodoaldo: A melhor música da história do futebol cearense


 


"Uh terror, Clodoaldo é matador..." Essa foi a melhor música da história do futebol cearense. Com o perdão da torcida do Ceará, mas nada foi tão marcante quanto o Rap do Clodoaldo, maior ídolo do Fortaleza. Mas afinal, quem criou esse clássico? Esse é o tema de mais uma edição do Baú do Jogada.

Clodoaldo é bom de bola

Clodoaldo surgiu como um cometa no início dos anos 2000. Dono de um talento incrível com a canhota, o baixinho liderou o ressurgimento do Fortaleza. Era o fim de sete anos de ostracismo.

Em 2001, o DJ Caio, da Superdance, famosa equipe de baile funk da capital, recebeu uma ligação inesperada. Era Clodoaldo, que pedia pra ele produzir um CD com as músicas preferidas do craque.

Caio foi além: ele e dois parceiros, os MCs Gordinho e Bacana, fizeram uma canção pro Clodô. Nascia uma pérola.

Rap do Clodoaldo

Clodoaldo é bom de bola,
o baixinho é o cão.
Quando pega o Ceará,
deixa a zaga no chão.
Humilha o meio campo,
ele é goleador.
Uh terror!
Clodoaldo é matador.

Clodoaldo pediu um favor ao DJ Caio, e ganhou uma música em sua homenagem
Foto: Acervo Pessoal DJ Caio Froes


Fama repentina

"A ideia era entregar a música para o Clodoaldo, e ponto final. Mas resolvi tocá-la em uma rádio onde eu apresentava um programa. Foi então que a música tomou uma proporção que, até hoje, considero inexplicável", relembra Caio Froes.

"O impacto foi muito grande. Na época, pra gente que trabalhava com funk, foi muito bom. Através da música, começaram a surgir apresentações pra gente fazer no interior", resgata Wellington Melo, o antigo MC Gordinho, hoje pastor evangélico.

DJ Caio era integrante da Superdance, famosa equipe de baile funk de Fortaleza
Foto: Reprodução


O Rap do Clodoaldo caiu na boca da galera. E tomou conta dos estádios cearenses e das rodas de torcedores.

Sucesso na Globo

Atento ao novo fenômeno, o repórter Victor Hannover, autor das reportagens sobre Clodô, virou figurinha carimbada nos programas da Globo.

"Quando a primeira matéria chegou ao Rio de Janeiro, os caras se apaixonaram pela música. E isso rendeu uma série sobre o Clodoaldo. Naquela época, no estado do Ceará, isso nunca tinha acontecido", revive Hannover, em entrevista ao podcast Maestros da Bola.

Clodoaldo não se furtava de provocar a torcida do rival Ceará
Foto: Kid Junior / Diário do Nordeste / SVM - 08/07/2001

Logo a música se tornou um hit nacional. Com direito a seguidas reportagens na TV Globo, ao longo do ano de 2003. 

"É hora da aula de música do Globo Esporte... Aí está a belíssima letra. 'Clodoaldo é bom de bola, o baixinho é o cão'", recitou Tadeu Schmidt, então apresentador do programa diário de esportes.

Do céu ao inferno, do inferno ao céu

Apesar da fama, Clodoaldo caiu em desgraça entre a torcida tricolor quando se mudou para o Ceará, numa tentativa frustrada em 2004, e depois em 2006. 

Clodoaldo tentou uma transferência para o Ceará em 2004 (foto), e depois conseguiu em 2006
Foto: Kid Junior / Diário do Nordeste / SVM - 16/05/2004

No restante da carreira, o baixinho perambulou por uma dúzia de clubes pequenos, como Potiguar, Juazeirense, Nova Russas e Santa Quitéria. O perdão só veio em 2018, quando Clodô voltou ao Fortaleza para a despedida.

"Até hoje, onde eu chego tem aquele carinho do torcedor. Muitos ainda cantam a música do Clodoaldo, não tem coisa melhor do que isso", comemora o Capetinha. Ficou o legado de uma letra que atravessa o tempo.




(Diário do Nordeste)

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