Antes de ser preso após se apresentar como juiz de direito durante uma abordagem policial em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, já chamava a atenção de colegas na Faculdade de Direito onde estudava.
Segundo dois estudantes ouvidos pelo Metrópoles, Pereira tinha um comportamento considerado “exótico” e costumava aparecer na instituição com visuais diferentes. Entre os hábitos que mais chamavam a atenção, estava o uso de perucas que, segundo um dos colegas, ele chegava a trocar ao longo da mesma semana.
O guarda-roupa também variava bastante. “Ele tinha um estilo exótico, às vezes usava terno completo, outras vezes ia com kits esportivos completos, moletom, algumas roupas do Corinthians de vez em quando”, afirmou um dos relatos. Ele também costumava usar uma faixa na cabeça.
Apesar do visual chamativo, os colegas descrevem Pereira como uma pessoa comunicativa. Segundo um dos estudantes, Selmo “sempre foi conversador, do tipo que sai falando com todo mundo e fazendo amizades”.
O comportamento em sala de aula, porém, era mais controverso. Conforme o relato de um colega que estudou com ele, Pereira falava em tom muito alto e chegou a discutir com professores.
Os relatos ajudam a traçar o perfil do homem que, segundo a Polícia Militar (PM), afirmou ser juiz de direito durante uma abordagem na noite de segunda-feira (31/8).
Pereira foi abordado pelos PMs depois que os agentes viram uma Land Rover Evoque preta deixar um estacionamento em velocidade considerada incompatível com a via.
Questionado pelos policiais, ele afirmou ser juiz de direito em Santo André. Como não apresentou a identidade funcional, acabou fornecendo um documento com os dados de um magistrado.
A situação chamou a atenção dos policiais porque o veículo estava registrado em nome diferente daquele que constava no documento apresentado.
Enquanto os agentes faziam as verificações, uma pessoa que passava pelo local reconheceu Pereira por outro nome e afirmou que ele seria estudante de direito. Questionado novamente, ele mudou a versão e disse ser aluno de doutorado, mas continuou afirmando que era juiz.
As consultas aos sistemas policiais também apontaram uma diferença nas características físicas. O verdadeiro titular do documento teria cerca de 1,70 metro de altura, enquanto Pereira tem aproximadamente dois metros.
Levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, ele passou por perícia datiloscópica, que confirmou sua identidade. Pereira era procurado pela Justiça e, segundo a polícia, possui 78 processos e 34 inquéritos policiais, incluindo 22 investigações relacionadas a estelionato.
O caso foi registrado como uso de documento falso e localização e apreensão de veículo.
(Metrópoles)



