Netinho morreu de quê? Veja causa da morte do cantor aos 60 anos



 

O cantor Netinho morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, após enfrentar um linfoma não Hodgkin do tipo B. Internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, desde o fim de setembro, o artista teve complicações decorrentes da doença, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. A morte foi comunicada pela equipe do músico nas redes sociais.

Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior ficou conhecido nacionalmente como Netinho e alcançou destaque na música brasileira com sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca”, “Menina” e “Prefixo de Verão”. A trajetória do cantor esteve ligada à expansão do axé music, gênero que ganhou espaço em todo o país a partir de Salvador e passou a integrar a programação de carnavais e micaretas.

Em nota, a equipe informou que o artista desejava que o velório e a cremação fossem realizados de maneira reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos. O comunicado também pediu respeito à privacidade das pessoas próximas ao cantor durante a despedida.

A mensagem publicada nas redes sociais destacou a relação de Netinho com o público e a carreira construída ao longo de décadas. Durante o tratamento, segundo a equipe, ele costumava falar sobre a própria trajetória e o carinho recebido dos fãs. “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”, dizia uma das frases atribuídas ao cantor no comunicado.

Diagnóstico e tratamento contra o câncer

Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, em 2025. Em fevereiro daquele ano, após sentir dores nas costas e dificuldades para caminhar, foi internado no Hospital Aliança Star, em Salvador. O artista tornou público o diagnóstico em 22 de março de 2025 e passou a compartilhar informações sobre o tratamento com os seguidores.

Durante esse período, ele relatou nas redes sociais as etapas da terapia e mencionou ter recebido 128 aplicações de medicamentos por meio de injeções na região abdominal. Em uma das publicações, demonstrou otimismo em relação à evolução do tratamento: “Estou no finalzinho da 4ª temporada. Tudo indo maravilhosamente bem por aqui como Deus quer”.

Depois de receber alta hospitalar, Netinho continuou o acompanhamento médico e retomou gradualmente os compromissos profissionais. A doença, porém, voltou em 2026. O cantor informou que precisaria reiniciar as sessões de quimioterapia.

Em 30 de setembro deste ano, a equipe confirmou uma nova internação no Hospital Aliança Star, em razão da recidiva do linfoma não Hodgkin. Poucos dias depois, foi anunciado que o músico se afastaria temporariamente das redes sociais para se dedicar ao tratamento.

Da Banda Beijo ao sucesso de “Milla”

Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus. Aos 10 anos, mudou-se com a família para Salvador, onde teve contato com diferentes estilos musicais e começou a desenvolver a carreira. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão, presente da mãe. Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (UCSal), conciliando os estudos com apresentações musicais.

No início, cantava em bares da capital baiana, com repertório de Música Popular Brasileira (MPB) e bossa nova. A trajetória profissional ganhou outro rumo em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador.

No mesmo ano, o grupo alcançou projeção nacional com “Beijo na Boca”. A banda também emplacou canções como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”, ampliando a presença do axé music entre os ouvintes de diferentes regiões do Brasil.

Em 1993, Netinho iniciou a carreira solo. O álbum “Um Beijo pra Você” vendeu mais de um milhão de cópias e ajudou a consolidar o cantor no mercado musical. O trabalho incluiu “Milla”, canção que se tornou um dos maiores sucessos de sua trajetória. Lançada em 1996, a música chegou ao topo de paradas no Brasil e em Portugal e passou a fazer parte do repertório de festas e carnavais.

Em entrevistas anteriores, o artista falou sobre a repercussão da faixa. “O sucesso de ‘Milla’ me surpreendeu. Era uma música leve, solar, e acho que isso tocou as pessoas”, declarou.

Além dos shows no Brasil, Netinho participou da divulgação internacional do axé. Em 1990, levou um trio elétrico ao exterior durante a Copa do Mundo da Itália, sendo apontado como o primeiro brasileiro a realizar esse tipo de apresentação fora do país. Em 1992, também desfilou com um trio na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em uma iniciativa considerada inédita naquele período.

Atuação como empresário e vida pessoal

Netinho também investiu no setor de produção musical. No Rio de Janeiro, abriu um estúdio de gravação e mixagem que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. O cantor ainda criou um selo voltado ao lançamento de novos nomes da música baiana.

Na vida pessoal, foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003. Os dois tiveram uma filha, Bruna Trindade. Em 2010, o cantor falou publicamente sobre sua bissexualidade. Dois anos depois, durante participação no programa Fantástico, da TV Globo, afirmou que preferia não prolongar o assunto. “Eu acho cafona ficar falando sobre isso. Não tem muito sentido”, disse na ocasião.

Problemas de saúde e afastamento dos palcos

Em 2013, Netinho enfrentou uma série de complicações médicas, incluindo três acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Os problemas de saúde provocaram, entre outras consequências, a perda da voz, seu principal instrumento de trabalho. O período exigiu internações, cirurgias e um processo prolongado de recuperação.

O cantor ficou quatro anos sem se apresentar no Carnaval de Salvador. Ao falar sobre aquela fase em entrevista, descreveu a recuperação como um recomeço pessoal e profissional: “Achei que fosse morrer. Mas ali comecei tudo de novo, como homem e como artista”.

Netinho também relatou problemas de saúde que atribuiu ao uso de anabolizantes. As complicações médicas levaram a um período de afastamento da rotina artística antes da retomada gradual dos compromissos profissionais.

Posicionamento político e repercussão pública

Nos últimos anos, declarações e manifestações políticas do cantor geraram debates entre fãs e seguidores. Netinho declarou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e participou de pelo menos um ato em favor dele em 2021.

Nas eleições de 2022, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal. Recebeu cerca de 31 mil votos e não foi eleito, ficando registrado como suplente da legenda no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu posicionamento político foi alvo de críticas de parte do público.

A equipe do cantor informou que a cerimônia de despedida será restrita a familiares e amigos próximos, conforme o desejo manifestado por Netinho.




(CG+)

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