Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 17 de setembro de 2019


Após os ataques à refinaria Aramco, na Arábia Saudita, no último sábado (14), o preço do barril de petróleo Brent no mercado internacional sofreu elevação de 19,5% ontem (16) – a maior alta diária registrada desde 1991, quando começou a Guerra do Golfo – atingindo US$ 71,95 (R$ 293,63). Os consumidores brasileiros poderão sofrer com aumento de até 8% no valor dos combustíveis, segundo estima o consultor de petróleo e gás, Bruno Iughetti. Já nas refinarias brasileiras, a elevação de preços pode chegar a até 10%.

Apesar da disparada do preço do barril, a Petrobras não deverá repassar imediatamente os aumentos para o consumidor brasileiro. A estatal vai avaliar o comportamento do preço do petróleo nos próximos dias para depois decidir se irá revisar os preços dos combustíveis no Brasil. Na prática, significa que, por ora, a petroleira vai segurar os preços dos combustíveis.

Ainda assim, Iughetti destaca que a disparada deve refletir sobres preços dos combustíveis, uma vez que a Petrobras “não poderá suportar por tanto tempo” a medida. Ele lembra que a refinaria atacada é responsável pela produção de cerca de 6% de todo o petróleo produzido no mundo.

“Com certeza, os derivados no Brasil sofrerão com essa alta. Até porque uma das variáveis utilizadas pela Petrobras no reajuste dos valores praticados nas refinarias é o preço do barril de petróleo”, explica. Além do combustível fóssil, a estatal também leva em consideração a cotação do dólar, que fechou ontem em alta de 0,05%, a R$ 4,08.

Apesar da iminente elevação no valor dos combustíveis, Iughetti ressalta que tudo vai depender do que irá acontecer nos próximos dias, uma vez que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá abrir mão de suas reservas estratégicas para que o efeito nas preços finais não sejam tão drásticos.
“Esperamos que as declar
ações de Trump surjam o efeito esperado”, torce o consultor. Para tentar minimizar os efeitos, a Petrobras anunciou que vai segurar o preço da gasolina até que haja estabilidade nos valores dos barris de petróleo.
Inflação

O consultor de energia, Expedito Parente Júnior, aponta que a volatilidade do preço do petróleo pode ser um fator inflacionário no Brasil. Ele explica que o custo com transporte pode gerar um consequente aumento no preço dos produtos finais para o consumidor.
“Com isso, pode ser que a própria taxa básica de juros, a Selic, seja impactada. O mercado tinha a expectativa de encerrar o ano com a Selic abaixo de 5%, mas pode ser que ela volte a subir ou pelo menos pare de cair, aumentando o custo do investimento no País”, esclarece.
Ele aponta que a dimensão dos efeitos vai depender, por exemplo, da política estratégica adotada pela Petrobras. “Nós temos estoque. Pode ser que a Petrobras não repasse esse aumento logo para os consumidores, repassando posteriormente ou mesmo na esperança da volta de uma normalidade”.
Pré-sal

Parente afirma que, apesar do Brasil produzir petróleo, nós também importamos. “As refinarias brasileiras são de antes da descoberta do pré-sal. Então, o petróleo produzido no Brasil não tem as características para ser processado aqui. Estamos sujeitos a essas variações também”, ressalta o consultor de energia.

Ele acrescenta que aos estados que mais concentram a produção no Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, deverão apresentarão um aumento de arrecadação com a elevação do preço do barril de petróleo. “Haverá mais lucro. No entanto, essa volatilidade é ruim por conta dos outros fatores que já apresentamos”, alerta.

Gasolina

O preço médio da gasolina vendida nos postos de combustíveis do Ceará já traça uma trajetória de alta ao longo do ano. De acordo com o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor no Estado subiu cerca de 7,6% no ano, passando de R$ 4,250 na semana do dia 6 a 12 de janeiro para R$ 4,573 entre os dias 8 e 14 de setembro.




(Diário do Nordeste)
Caderno: CEARA
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