Ministro da Economia ponderou que
se por um lado, como economista, gostaria de manter a produção, por outro
entende a necessidade do isolamento social no combate ao coronavírus
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(foto: Sergio LIMA / AFP)
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O ministro da Economia, Paulo
Guedes, ponderou sobre uma dificuldade de manter o equilíbrio entre Saúde e
Economia, falando que se de um lado existe a preocupação com a produção do
país, do outro existe o receio à contaminação do novo coronavírus, que pode
levar o sistema público de Saúde a um colapso. Em reunião com prefeitos da
Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Guedes falou sobre uma estimativa
de três meses de isolamento social no combate ao vírus, mas pontuou que no
prazo a economia que pode entrar em colapso.
“Como economista, eu gostaria que
nós pudéssemos manter a produção e
voltar mais rápido. Eu, como cidadão, seguindo o conhecimento do pessoal da (área da) Saúde, ao contrário: aí
eu já quero ficar em casa e fazer o isolamento. Essa linha de equilíbrio é difícil.
Mas é coisa de dois, três meses, vai rachar para um lado ou para o outro. Ou
funciona o isolamento em dois meses, ou aí vai ter que liberar (a produção),
porque a economia não pode parar também senão desmonta o Brasil todo”, disse.
O ministro da Economia, Paulo
Guedes, ponderou sobre uma dificuldade de manter o equilíbrio entre Saúde e
Economia, ressaltando que se de um lado existe a preocupação com a produção do
país, do outro existe o receio à contaminação do novo coronavírus, que pode
levar o sistema público de Saúde a um colapso. Em reunião com prefeitos da Confederação
Nacional dos Municípios (CNM), Guedes falou sobre uma estimativa de três meses
de isolamento social no combate ao vírus, mas pontuou que no prazo a economia
pode entrar em colapso.
“Como economista, eu gostaria que
nós pudéssemos manter a produção e
voltar mais rápido. Eu, como cidadão, seguindo o conhecimento do pessoal da (área da) Saúde, ao contrário:
aí eu já quero ficar em casa e fazer o isolamento. Essa linha de equilíbrio é
difícil. Mas é coisa de dois, três meses, vai rachar para um lado ou para o
outro. Ou funciona o isolamento em dois meses, ou aí vai ter que liberar (a
produção), porque a economia não pode parar também senão desmonta o Brasil
todo”, afirmou.
Guedes disse ter a informação de
que o contágio pelo vírus deve acelerar agora, e que é possível que o sistema
econômico consiga aguentar no máximo três meses de quarentena, desde que
algumas atividades não parem. O ministro explicou que mantendo estradas abertas
para que as safras cheguem a todos os Estados e litoral; mantendo a produção de
alimentos, medicamento, farmácias e mercados abertos, caminhoneiros
trabalhando, é possível “esticar” os efeitos drásticos da crise sobre a
economia.
“Normalmente você aguenta um,
dois meses. Com isso funcionado, talvez você aguente três meses sem um colapso
completo da economia. Passou de dois, dois meses e meio, começa a pressão
total, a economia começa a se desorganizar. E para a saúde, aparentemente é
preciso de três meses. Nós estamos espremidos, porque mais dois, três meses, a economia
não aguenta. Mas menos que isso, parece que a Saúde também se precipita. Então,
é uma decisão difícil”, disse.
O ministro afirmou que é preciso
respeitar as opiniões dos dois lados, dizendo ser válida as ações iniciais dos
governadores que implementaram medidas duras de distanciamento social, mas
ressaltando que, para ele, também é válida a posição do presidente Jair
Bolsonaro, que avisou sobre os efeitos da quarentena sobre a economia. Nos
últimos dias, o presidente tem pregado a necessidade de que as pessoas retornem
ao trabalho, minimizando o potencial do vírus ao chamá-lo de
"gripezinha".
De acordo com Guedes, se passar
muito tempo com as pessoas em casa, sem trabalhar, a produção pode desabar e o
país poderia entrar em uma depressão, com prateleiras vazias e sem alimento
para as pessoas. "Fica todo mundo em casa com dinheiro para comprar,
porque a gente está injetando R$ 700, R$ 800 bilhões, mas não tem nada na
prateleira. E aí a gente vai para o desabastecimento, inflação volta, juro, e
vamos para o desastre total", afirmou.
Especialistas têm dito nos
últimos dias que é possível aliar o cuidado com a Saúde com a Economia do país.
Na semana passada, o Correio conversou com procuradora do Ministério Público de
Contas de São Paulo, Élida Graziane Pinto, que afirmou que as medidas tomadas
pelo governo federal não precisam significar a paralisação da economia, mas sim
pensar em ações inteligentes, levantando as demandas claras a partir de uma
coordenação nacional.
“É falsa a antítese entre
economia e saúde”, disse. A procuradora pontuou que o governo federal poderia
usar a capacidade instalada da indústria e converter as produções e serviços
para o combate ao coronavírus. Da mesma forma que a Ambev transformou o parque
industrial para a produção de álcool em gel, a indústria automobilística
poderia converter a produção de carros comuns para ambulâncias com UTI; os
hotéis poderiam fazer isolamento das situações mais graves.
“Eles têm o 'know how'
(conhecimento; saber fazer). É o que economistas chamam de recondução
produtiva. É o governo demandando, contratando, mantendo emprego e atendendo a
demanda sanitária, de forma racional. Sem fazer isso de forma atabalhoada como
o governo está fazendo”, disse.
Correio Braziliense



