Você está em: NACIONAL // Notícia de Anselmo // 21 de abril de 2020

Funerárias registram mais de 100 sepultamentos por dia, e Prefeitura cria comitê de crise para óbitos 



A disparada no número de mortes em Manaus já se reflete no cemitério Nossa Senhora Aparecida, mais conhecido como Tarumã. Por concentrar a maior parte dos sepultamentos da cidade (os demais só atendem em jazigos familiares), ele ficou sobrecarregado com a crise causada pelo novo coronavírus. Com mais de 100 óbitos por dia na capital desde a última terça, o local já não dá conta da demanda. E as autoridades buscam meios de controlar a situação.

Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra os carros de agências funerárias formando uma longa fila para entrar no Tarumã. Como o cemitério não consegue atender a todos os óbitos ao mesmo tempo, a espera cresceu.


O presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do Estado do Amazonas, Manuel Viana, confirmou o quadro retratado no vídeo. Ele admite que o número de mortes diárias cresceu acima das expectativas e, por isso, a organização dos enterros escapa ao controle.

- Antes do coronavírus, a média aqui era de 30 sepultamentos por dia. O setor funerário tinha feito uma  projeção de que estaríamos em abril com algo em torno de 50 e poucos óbitos por dia. Mas só neste domingo morreram 122. Na terça da semana passada (dia 14) foram 102. Desde então, este número só cresceu.
Mortes na capital do Amazonas ultrapassam a marca de 100 por dia, e o cemitério Tarumã (o único da cidade) fica sobrecarregado. A fila de espera é tão grande que o local passou a ter engarrafamentos de carros de funerária.
 

Para encontrar soluções, Manaus criou um comitê de crise para óbitos formado por membros do setor funerário e das secretarias municipais da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) e de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), que inciaram os debates nesta segunda. A primeira medida para tentar conter o caos no Tarumã é o aumento do número de funcionários.

- Aí poderemos organizar os sepultamentos com uma velocidade maior. Aquele tumulto foi na hora do intervalo para o almoço. Provavelmente já a partir desta terça serão duas turmas fazendo um revezamento. Com isso, não vamos ficar sem atendimento na hora do almoço - explica Viana.

O primeiro indício de esgotam
ento veio justamente de um serviço da prefeitura: o SOS Funeral, oferecido de forma gratuita a quem não tem condições de arcar com os custos de remoção do corpo e com a taxa de sepultamento. Com capacidade para até 20 óbitos por dia, ele atingiu o seu limite na semana passada. A Prefeitura, então, recorreu às funerárias particulares, que agora se revezam diariamente para suprir esta ausência.

A Prefeitura de Manaus informa que instalou dois frigoríficos no cemitério para o armazenamento dos corpos da fila de espera. Com isso, é possível liberar os veículos da funerárias para a realização de novos serviços, principalmente os do SOS Funeral.
Dezenas de novas covas foram abertas na semana passada. Segundo a prefeitura, esta ampliação já estava prevista. Mas a pandemia de Covid-19 antecipou a medida.


Nesta segunda, a Secretaria Estadual de Saúde registrou mais três óbitos por covid-19, totalizando 185 desde o início da pandemia. Só que, além da defasagem nas confirmações, nem todos os casos chegam a ser testados. Logo, as autoridades não conseguem contabilizar todos as mortes que chegam ao Tarumã dia após dia.
O globo.com
Caderno: NACIONAL
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