Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 28 de junho de 2020


Dotado às pressas e, em muitos casos, de forma improvisada para atender às regras de isolamento social, o trabalho remoto, ou "home office", tornou-se uma realidade para muitas empresas nos últimos três meses. E a expectativa é de que setores com funções administrativas, por exemplo, continuem no esquema de home office de forma definitiva mesmo após a retomada das atividades econômicas. Para as companhias, o home office permite a redução de despesas com aluguel de espaço físico, energia, transporte, alimentação, dentre outras. Enquanto o funcionário pode, por exemplo, usar o tempo gasto diariamente com deslocamento em outras atividades.

"Com a quarentena, as empresas acabaram acelerando um processo que já vinha sendo mapeado e implantado lentamente, e esse foco foi dado no susto", diz Raul dos Santos, sócio da consultoria SGS Investimentos. "Agora chegou-se à conclusão de que não precisava de tanto deslocamento. Outro ponto é a questão de espaço físico. Todo mundo, quando pensa em crescer, pensa em alugar mais salas, em aumentar a estrutura física, e agora estamos vendo que não precisamos de espaço físico para crescer".

Segundo Patrick Lima Alex, diretor da CSI Locações, empresa especializada em locação de equipamentos para eventos e construção civil, já num primeiro momento, houve redução de custos com vale-transporte e vale-refeição. "Além disso, os gastos com hora-extra diminuíram bastante, porque o colaborador se tornou mais produtivo. A gente estima que o nosso custo com pessoal será reduzido em cerca de 10%", diz.

Produtividade

Com relação à produtividade no trabalho remoto, acreditava-se, inicialmente, que o rendimento do funcionário tenderia a cair, mas passada a fase de adaptação, ocorreu o oposto. "Do dia 18 de março, quando nós entramos no regime de home office, até o fim do mês, a gente percebeu uma queda de produtividade, acredito que pelo ineditismo da situação, pela adaptação, mas a partir de abril a gente viu uma crescente muito grande da produção. A entrega por hora trabalhada aumentou significativamente", frisa Raul dos Santos.

No mesmo sentido, Alex também diz que percebeu uma melhora na produtividade, principalmente pelo tempo que os funcionários deixaram de gastar com deslocamento. "Eu tenho dois funcionários que demoravam cerca de duas horas no trânsito para chegar à empresa. Com certeza eles passaram a ser mais produtivos, porque economizaram quatro horas por dia que agora podem ser usadas para fazer cursos ou pensar coisas novas para a empresa".

Entretanto, assim como as empresas tiveram pouco tempo para se preparar para esse novo esquema de trabalho, também foi curto o período para funcionários se acostumarem com novas ferramentas e rotinas para cumprir suas metas. E aqueles com menor capacidade de adaptação poderão perder espaço no mercado. "Não é novidade que para uma empresa crescer, ela não pode abrir mão da tecnologia e essa aptidão independe da idade. Agora nós pudemos perceber quem assimilou bem essas mudanças e promover uma rápida oxigenação dos quadros da empresa", afirma Raul dos Santos.

A tendência é que, com o tempo, as empresas passem a incentivar, cada vez mais, que seus funcionários trabalhem de casa. "Já há pesquisas mostrando que tem gente gostando mais dessa forma de trabalho porque o tempo renderia mais. Mas no home office você precisa ter uma agenda mais estruturada", diz Adriana Bezerra, CEO da Flow Desenvolvimento Integral, especializada em psicologia e gestão de empresas. "Por outro lado, a interação com os outros colegas ajuda a desenvolver novos produtos, a criatividade, porque o trabalho coletivo é muito rico".



(Diário do Nordeste)
Caderno: CEARA
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