Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 4 de janeiro de 2021

 


As nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza somaram, em dezembro, 3.486 atendimentos de pacientes infectados com o novo coronavírus, maior número desde o pico da pandemia na capital cearense, no mês de maio.

Os dados são do Integra SUS, plataforma da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), e consideram a movimentação nas UPAs dos bairros Autran Nunes, Canindezinho, Conjunto Ceará, Cristo Redentor, Itaperi, Jangurussu, José Walter, Messejana e Praia do Futuro.

De março a dezembro de 2020, 25.151 pessoas infectadas com o novo coronavírus foram atendidas nas unidades. Em março, primeiro mês com registros oficiais do novo coronavírus no Ceará, foram 1.605 pacientes. Em abril, o número saltou para 5.050, aumentando ainda mais em maio, que registrou 6.269 atendimentos. Depois do pico, a média entre junho e outubro foi de 1.286 atendimentos por mês.

O número, entretanto, voltou a subir desde novembro, quando foram contabilizados 2.309 atendimentos por síndromes gripais causadas pelo coronavírus, e atingiu novo pico em dezembro.

O Integra SUS apresenta as estatísticas conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID), desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e não menciona especificamente a “Covid-19”, mas o agente causador: o coronavírus.

Para a virologista, epidemiologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Gurgel, a tendência é de piora na disseminação da doença no Ceará.

"Daqui a duas semanas ou quando iniciar o mês de fevereiro, teremos uma explosão de casos, como já vem se mostrando, com lotação de leitos tanto de enfermarias como UTIs. Estamos caminhando pra um cenário semelhante ao visto no início de 2020. A pandemia está longe de terminar", alerta.

Casos graves também tiveram aumento

A quantidade de pacientes transferidos das UPAs para outras unidades de saúde também voltou a crescer: em dezembro, 71 pessoas precisaram ser deslocadas, quase o dobro do registrado em novembro (38 transferências) e mais que o dobro de outubro (28). Foi o maior número desde junho, que registrou 118 transferidos.

A alta do número de procedimentos indica que os casos têm tido maior gravidade, gerando necessidade de assistência mais complexa. "Nem todos precisam de internação, mas a parcela que precisa lota o hospital, sufocando a rede, impedindo até mesmo o acesso à saúde em outros casos, porque os leitos já estão ocupados por pacientes Covid”, analisa Caroline Gurgel.

O secretário estadual da Saúde, Dr. Cabeto, afirmou, entrevista ao G1, que a segunda onda da pandemia afeta principalmente as pessoas mais jovens, que apresentam casos leves ou moderados da Covid-19 – mas precisam multiplicar os cuidados para não serem disseminadoras da doença.

“Mesmo não ficando grave, essa população pode levar o vírus para o pai, o tio, o avô. E o adoecimento dessas pessoas pode ser catastrófico. É preciso sair da fase de não compreender o que está acontecendo. É preciso um movimento de consciência, pra que a gente possa obedecer as normas sem causar revolta, negações da realidade nem tristeza e depressão. Uma sociedade madura se previne melhor e protege melhor os seus”, sentencia o titular da Sesa.

O gestor aponta, ainda, que a rede privada de Fortaleza tem refletido ainda mais a incidência de casos na cidade. “A rede pública não tem mostrado o aumento de casos e óbitos que a privada mostra, de cerca de 30%. Proporcionalmente, o número de óbitos hoje é cerca de 10% do registrado em maio. Já os casos, 20% a 30%. O surto está mais restrito à Regional II e ao Litoral Leste do Ceará. Não há esse aumento em todas as regiões como se especula”.

Covid-19 no Ceará

O Ceará contabilizava, até as 8h52 deste domingo (3), 336.763 casos confirmados e 10.024 óbitos por Covid-19. Mais de 270 mil pessoas se recuperaram da doença e outros 34.962 casos suspeitos seguem em investigação.

Fortaleza concentra 82.618 das infecções confirmadas e 4.173 das mortes pela doença pandêmica. Na capital cearense, 45.631 pacientes estão recuperados da Covid-19 e mais de 16 mil casos suspeitos estão sendo investigados. 

 

 

(G1/CE)

Caderno: CEARA
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