Você está em: CEARA // Notícia de Anselmo // 5 de maio de 2021



Ainda 'mergulhado' na segunda onda da pandemia de Covid-19, o Ceará, tal qual como o Brasil, corre o risco de enfrentar uma terceira onda. A flexibilização do isolamento social rígido, o relaxamento com as medidas de prevenção e o ritmo lento de vacinação contra a doença tendem, segundo especialistas, a compor o cenário temeroso. Outra preocupação é o Dia das Mães, a ser celebrado no domingo (9).


A epidemiologista e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC), médica Lígia Kerr não considera alarmista a previsão de uma terceira onda no Estado. Mesmo com a tendência de redução da circulação viral em Fortaleza e no Interior, justifica, a taxa de positividade para o vírus ainda é alta. Além disso, o comportamento das pessoas em ocasiões como o Dia das Mães impacta diretamente nesse resultado.



Lígia acrescenta que a retomada gradual da economia no Estado e a consequente flexibilização do isolamento social costumam levar a população a fazer uma leitura errônea de menor contaminação e gravidade da doença.


"Ninguém pode dizer que [a terceira onda] vai acontecer. Mas conforme você está abrindo, também está ampliando as chances de contato, dentro de um contexto em que a circulação viral não está baixa. Vamos torcer para que não aconteça", diz, citando a vacinação de parte dos idosos como um atenuante, embora ainda ocorra em ritmo aquém do ideal.


Imunização lenta
O imunologista e professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal da UFC, Edson Teixeira, concorda. De acordo com ele, o principal problema enfrentado pelo Brasil na pandemia do novo coronavírus é a lentidão na vacinação. Com isso, avalia, existe a “probabilidade de termos terceiras, quartas, quintas ondas”.


“Se a vacina se arrastar com essa velocidade que estamos vendo, nós não chegaremos a ter imunidade de rebanho rapidamente e, com o escape das variantes da cobertura vacinal”, novas ondas da pandemia serão formadas.


Indicadores
A infectologista Melissa Medeiros acredita ser “difícil fugir dessa terceira onda”, dentro ou fora do Brasil, pois fica cada vez mais difícil controlar aglomerações, o distanciamento e o uso da máscara.
Melissa estima que o Ceará deve ser varrido por uma terceira onda em meados de agosto ou setembro deste ano. Ela faz a estimativa com base em tendências dos indicadores da Covid.


“Em maio e junho terá queda porque as pessoas vão relaxar muito, e começaremos a ver aumentar de novo [os indicadores], mas não de forma tão ruim como nessa segunda onda. Até porque uma grande proporção já terá sido infectada ou vacinada”, projeta.


Cuidados e alertas com as festividades
Christianne Takeda lembra que o Dia das Mães é o momento em que muitas pessoas visitam mães, avós e tias para presenteá-las. Por isso, a data exige cuidados redobrados da população, a fim de evitar que uma nova onda de Covid-19 invada o Estado.


“Se tiver um espaço aberto [para comemorar], ainda se pode negociar e ver como faz. Se for fechado, não é tempo ainda. Reuniões em casa, com pessoas próximas e em lugar fechado é tudo o que o vírus gosta”, reforça Lígia Kerr.


Diário do Nordeste
Caderno: CEARA
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