Dada a largada para o projeto de Indicação Geográfica da 'Cerâmica da alegria'

 


A atividade com cerâmica na Comunidade da Alegria, em Ipu, na Serra da Ibiapaba, é tão antiga que seu início é anterior à fundação do município. Por isso, foi uma surpresa quando descobriram que a qualidade do barro da região tem uma composição única, o que faz com que a cerâmica produzida no local seja diferenciada. Com essa constatação, a comunidade está pleiteando, junto ao INPI-Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o Selo de Indicação Geográfica-IG, que fará com que o artesanato em barro da comunidade tenha um valor agregado que a diferencie das demais produções dessa tipologia.

Inserido no Programa Cidade Empreendedora, iniciativa criada pelo Sebrae para buscar um ambiente que favoreça ao desenvolvimento dos pequenos negócios no país, a partir do apoio das gestões municipais, o projeto de IG da cerâmica do Sítio da Alegria tem avançado muito com o apoio do prefeito de Ipu, Robério Rufino, e do Secretário de Turismo, Sílvio Andrade, que têm ajudado ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelo articulador Regional do Sebrae/CE na Ibiapaba, Francisco Magalhães, do analista técnico Johnw Mágulas, e do consultor Luciano Seixas, que vêm reforçando o trabalho de sensibilização junto às artesãs, acerca da importância da certificação.

– Além desse trabalho de esclarecimento, temos focado na estruturação do projeto e em darmos prosseguimento aos próximos passos na busca pela certificação,” explica Seixas que tem se reunido, com frequência, com as artesãs da Comunidade e com a Mestre de Cultura, Dona Branca, na criação da “Cerâmica da Alegria”, que vai batizar o projeto de reconhecimento e de desenvolvimento da cerâmica produzida no Sítio Alegria. A Indicação Geográfica vai servir para proteger o produto, agregar valor financeiro, reconhecer a origem histórica e comprovar, cientificamente, sua qualidade e diferencial.

A partir da conquista da IG, a Comunidade da Alegria terá oportunidade de entrar no circuito de produtos com denominação de origem atestados pelo Inmetro e outros órgãos. A iniciativa de buscar o reconhecimento do processo de Indicação Geográfica da Comunidade da Alegria, integra uma das etapas do Programa Cidade empreendedora que, no caso do município de Ipu, foca no Turismo e na Rota “Mirantes da Ibiapaba”, onde o município está inserido.

Esse tipo de cerâmica é produzido pela comunidade antes da criação do município

 

Para o Secretário de Turismo do município, Pedro Ramises, “Esse trabalho de certificação vai beneficiar mais de 100 famílias, diretamente, e ao município de Ipu como um todo, por incentivar o desenvolvimento da comunidade e ajudar a levar a cerâmica da Alegria, característica daqui, mundo afora. É mais um atrativo a fortalecer a Rota dos Mirantes da Ibiapaba, muito importante para o desenvolvimento de Ipu e da região”, enfatiza.

Sítio Alegria

Distante 323Km de Fortaleza, e a três quilômetros da cidade de Ipu, o Sítio Alegria já é conhecido, regionalmente, como um polo de artesanato em barro graças ao trabalho da artesã e mestra na arte da cerâmica, Maria Alves de Paiva, a dona Branca. Mãe de 11 filhos, ela continua, até hoje, dividida entre os cuidados com a casa e o apreço ao ofício do barro que aprendeu ainda criança, escondida do pai, que não queria que ela seguisse a tradição familiar, perpetuada pela avó paterna, a mãe Munda.

Mas, nada a impediu. Começou criando panelinhas. Depois, procurou ajuda da tia que, mais paciente, que ensinou-lhe as regras do ofício. Foi assim que, aos poucos, as peças que saíam das mãos de Dona Branca tomaram as feiras regionais, chegaram ao Piauí, e o nome dela foi ganhando força até ser reconhecida, em 2005, como Mestre da Cultura. Hoje, ela reúne, no Sítio Alegria, 15 artesãs num trabalho comunitário que tem ajudado na sobrevivência da tipologia.

 

(Ag. Sebrae)