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| (Foto: Reprodução) |
A morte da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada no pátio de um condomínio na Aldeota, em Fortaleza, ainda é cercada por perguntas sem resposta para a família. O corpo foi localizado no domingo (13), e a causa da morte ainda não foi determinada. A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informou aos familiares que o laudo cadavérico pode levar até 30 dias para ficar pronto. O caso está sob investigação da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.
A mãe da jovem, a professora Isorlanda Caracristi, afirmou que só tomou conhecimento da morte no dia seguinte. Preocupada porque a filha não havia mantido a rotina de comunicação que as duas tinham diariamente, Isorlanda tentou entrar em contato com Isabelle e, diante da ausência de respostas, decidiu ir pessoalmente ao condomínio.
Em um relato publicado nas redes sociais, a professora descreveu a relação próxima que mantinha com a filha e contou os acontecimentos que antecederam a morte. A manifestação foi feita em meio à busca por esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso.
“Minha filha estava viva e voltou morta para os meus braços”, afirmou Isorlanda em seu relato.
A declaração repercutiu nas redes sociais e levou entidades ligadas à comunidade acadêmica e jurídica a manifestarem pesar pela morte da jovem.
A Polícia Civil, porém, ainda não divulgou uma conclusão sobre o que provocou a morte. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE) e da Pefoce foram acionadas para o local. A pasta ressalta que somente o laudo cadavérico poderá confirmar a causa do óbito.
Isabelle Caracristi foi encontrada morta em condomínio na Aldeota
Isabelle cursava Direito e, segundo o relato da mãe, tinha 22 anos e estava no segundo semestre da graduação. Isorlanda descreveu a filha como uma jovem alegre, comunicativa e cheia de planos profissionais.
A mãe contou que Isabelle pretendia seguir carreira na advocacia, com interesse pela área criminal. O início da graduação teria sido acompanhado por uma nova oportunidade profissional: ainda segundo o relato da professora, a jovem havia conseguido um estágio em um escritório de advocacia de Fortaleza.
A partir desse período, conforme contou Isorlanda, a filha teria passado por mudanças na rotina pessoal. A mãe relatou que Isabelle começou um relacionamento com um homem que, segundo ela, era superior hierárquico no ambiente profissional.
É importante ressaltar que as informações sobre o relacionamento e os acontecimentos anteriores à morte fazem parte do relato da mãe e não representam, até o momento, conclusões da investigação policial.
Isorlanda afirmou que percebeu uma aproximação rápida entre a filha e o namorado e que chegou a manifestar preocupação com a velocidade com que o relacionamento avançou.
Em determinado momento, segundo a mãe, Isabelle passou a permanecer cada vez mais tempo na residência do namorado até decidir morar no local.
A professora contou que tentou conversar com a filha sobre a situação, mas também buscou preservar a proximidade entre as duas.
“Eu fiquei com receio de brigar muito com minha filha e nós nos afastarmos cada vez mais”, relatou.
A preocupação, segundo Isorlanda, aumentou à medida que a filha passou a passar mais tempo fora de casa.
Mãe relata últimos dias da filha e cobra esclarecimentos
No relato publicado nas redes sociais, Isorlanda também descreveu os últimos dias em que esteve com Isabelle.
Segundo a professora, a jovem chegou a passar um período na casa da mãe porque não estaria se sentindo bem. As duas foram a um aniversário de família e Isabelle dormiu na residência.
No domingo, de acordo com Isorlanda, a filha apresentava um quadro de indisposição e teria mencionado dores no pescoço, tosse e coriza. A mãe disse ainda que Isabelle recebeu mensagens durante boa parte do período em que esteve em casa.
A professora afirmou ter percebido a filha mais apreensiva e relatou que houve diversas mensagens trocadas com o namorado.
“O telefone era o tempo inteiro ela recebendo mensagens. O tempo inteiro, o tempo inteiro”, contou.
Segundo a mãe, Isabelle decidiu retornar ao condomínio no fim daquele domingo. Antes de sair, teria informado que iria participar de uma missa e de uma procissão com o namorado e familiares dele.
Isorlanda contou que, posteriormente, recebeu uma mensagem da filha sobre uma comida que havia deixado preparada e, depois, outra declaração de afeto.
“Mãe, eu te amo”, teria escrito Isabelle, segundo o relato da professora.
Depois disso, porém, a comunicação entre as duas foi interrompida.
A mãe afirmou que esperava receber a mensagem de “boa noite”, hábito que, segundo ela, fazia parte da rotina da filha. Como isso não ocorreu, Isorlanda inicialmente imaginou que Isabelle tivesse dormido.
Na manhã seguinte, tentou contato diversas vezes.
Família ainda não sabe a causa da morte de Isabelle
A ausência de respostas aumentou a preocupação da mãe. Conforme o relato, Isorlanda tentou falar com Isabelle e também procurou o namorado da jovem.
A professora afirmou que não conseguiu contato e que percebeu que havia sido bloqueada em redes sociais.
Diante da situação, decidiu ir ao condomínio acompanhada de familiares.
Segundo Isorlanda, ao chegar ao prédio, percebeu movimentação entre funcionários e pediu informações sobre a filha. Ela relatou que, após conversar com funcionários e com a administração do condomínio, recebeu a notícia de que Isabelle havia morrido.
“Meu Deus, o que aconteceu com a minha filha, que até hoje eu não sei”, disse a professora durante o relato.
A família posteriormente recebeu informações na Pefoce. O corpo foi reconhecido na terça-feira (15), e os familiares foram informados de que o laudo cadavérico ainda seria necessário para determinar a causa da morte.
O sepultamento ocorreu no mesmo dia, no Cemitério Parque da Paz.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem conclusão pública da Polícia Civil sobre eventual responsabilidade de terceiros. A investigação permanece em andamento.
Polícia Civil investiga circunstâncias da morte na Aldeota
A SSPDS informou que o caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital. A pasta reforçou que a Perícia Forense foi acionada e que o laudo será fundamental para esclarecer a causa da morte.
A investigação deverá reunir os elementos coletados no local, informações testemunhais e os resultados dos exames periciais.
Enquanto o trabalho policial continua, a família busca esclarecimentos sobre as circunstâncias que antecederam a morte da jovem.
A professora Isorlanda também afirmou que gostaria de compreender por que não foi comunicada imediatamente sobre a morte da filha. Em seu relato, ela disse ter descoberto o ocorrido somente depois de procurar pessoalmente informações no condomínio.
“Eu preciso de respostas. Eu preciso de respostas. E eu quero justiça pela minha filha”, afirmou.
A fala resume o pedido feito pela mãe diante da ausência, até o momento, de uma explicação conclusiva sobre o que aconteceu com Isabelle.
Mãe de Isabelle pede respostas sobre o que aconteceu
A morte da universitária repercutiu entre integrantes da comunidade acadêmica e entidades ligadas à trajetória profissional da mãe.
A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) publicou uma nota de pesar em homenagem a Isabelle e manifestou solidariedade à professora Isorlanda e aos familiares. A entidade destacou a trajetória da mãe na instituição e desejou força à família.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Sertão Central também publicou uma manifestação de pesar pela morte da jovem, mencionando a relação de Isorlanda com atividades da entidade e lembrando a participação da professora em evento promovido pela subseção.
Isorlanda é professora da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e possui atuação acadêmica na área de Geografia, com pesquisas relacionadas à climatologia e ao meio ambiente. Registros acadêmicos da UVA confirmam sua atuação como professora e pesquisadora da instituição.
A trajetória da professora também inclui participação em pesquisas e publicações acadêmicas na área de Geografia.
No caso de Isabelle, entretanto, a principal questão permanece sem resposta: o que provocou a morte da jovem de 22 anos.
A resposta deverá depender dos exames realizados pela Pefoce e dos demais elementos reunidos pela Polícia Civil. Até que esses dados sejam concluídos, não é possível afirmar a causa da morte ou atribuir responsabilidade criminal a qualquer pessoa.
Como denunciar informações à Polícia Civil
A SSPDS orienta que pessoas que tenham informações capazes de contribuir para a investigação podem procurar os canais oficiais de denúncia.
As informações podem ser encaminhadas pelo 181, Disque-Denúncia da SSPDS, ou pelo WhatsApp (85) 3101-0181, que recebe mensagens, áudios, vídeos e fotografias.
Também está disponível o telefone (85) 3101-7502, da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.
A SSPDS informa que o sigilo e o anonimato são garantidos.
O caso continua sob investigação, e novas informações poderão esclarecer as circunstâncias da morte de Isabelle Caracristi. Até lá, a família aguarda o resultado da perícia e cobra respostas sobre os últimos momentos da universitária.
(gc+)



